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O El Dorado é aqui

Manaus > Centro Histórico > Parque Jéfferson Péres

O Parque Senador Jéfferson Péres é mais uma das obras entregues pelo Prosamim. Batizado com o nome de um dos maiores políticos que o Amazonas já teve, o Parque ocupa uma extensa área do centro de Manaus que era vergonhosamente ocupada por uma favela de palafitas. Em formato de Y, graças ao encontro de dois igarapés que juntos deságuam no Rio Negro, o espaço também surgiu a partir do aterramento parcial dos cursos de água.

Concebido para ser uma homenagem à Belle Epóque de Manaus, o Parque apresenta diversos detalhes que remetem a essa época. O imponente pórtico de entrada, uma estrutura de ferro com mais de 10 metros de altura, possui desenhos que lembram os pavilhões do Mercado Adolpho Lisboa, enquanto o piso nesta parte do Parque é o mesmo presente no Largo de São Sebastião, representando o Encontro das Águas. Figuras metálicas espalhadas pelo Parque retratam vários símbolos do auge do ciclo da borracha em Manaus, como bondes  elétricos e casais de namorados vestidos à caráter.

Logo após a entrada principal fica localizada a estátua do senador que dá nome ao parque. Confeccionada de bronze em tamanho real, ela mostra Jéfferson Péres sentado serenamente em sua cadeira do senado federal, a qual repousa sobre uma imponente base de mármore. 

Outro destaque é o Chafariz das Quimeras, um belo monumento histórico que foi restaurado e instalado no ponto onde os dois igarapés se encontram. Vale a pena dar uma lida na placa informativa que fica em frente ao Chafariz, que conta a verdadeira odisséia pela qual passou o monumento desde a sua inauguração, há mais de 100 anos, até hoje. 

O Parque  conta ainda com um orquidário e parquinhos para crianças. Mas talvez a maior atração seja mesmo a bandeira do Amazonas. Tremulando no alto de um mastro com mais de 60 metros de altura, com um tamanho de 18x10 metros, a bandeira pode ser vista de vários pontos do centro, não apenas proporcionando uma bela visão como também injetando uma boa dose de orgulho nos amazonenses.

Graças às suas extensas trilhas, conectadas por pontes sobre os igarapés, o Parque é bastante utilizado pela população manauara durante os fins de semana como espaço para caminhadas e exercícios físicos. O ambiente não poderia ser melhor.

Monumentos Históricos

Nas imediações do Parque, é possível encontrar importantes construções históricas. Subindo pelas escadarias que, no topo, exibem duas figuras gregas em mármore, chega-se aos fundos do Palácio Rio Negro, antiga sede do Governo do Estado. Ali mesmo já é possível admirar a grandeza de uma árvore centenária que balança os seus longos cipós sobre os visitantes. Sentar naquele espaço ao final da tarde, ouvindo o vento carregando as folhas e observando os últimos raios de sol que lutam para atravessar a frondosa copa, é algo extremamente relaxante.

Ao caminhar em direção à avenida principal, vislumbra-se a beleza da fachada principal do prédio. Hoje um centro cultural, o Palácio Rio Negro abriga exposições temporárias e permanentes. Repetindo o mesmo luxo presente em outros prédios históricos na sua decoração e móveis de época, o destaque fica por conta da grande escadaria central, toda talhada em madeira e montada sem a presença de nenhum prego, além da bela pintura do hall de entrada (Imortalidade, de Branco e Silva), que retrata o Teatro Amazonas em meio a um desfile de criaturas mitológicas, incluindo as lendárias guerreiras que deram nome ao estado. A entrada é gratuita.

À direita do Palácio Rio Negro, temos o Salão Rio Solimões. Antes uma residência, foi reformado e ampliado, servindo hoje para abrigar recepções e eventos diversos.  Do lado oposto, à esquerda do Palácio, está a Vila Ninita, um simpático e longílineo casarão vermelho que possui cerca de 20 janelas em cada uma de suas laterais e que esporadicamente abriga exposições de artistas locais.

Voltando ao pórtico de entrada, ao lado direito do Parque, a pouco mais de uma quadra de distância, está localizada a Usina Chaminé. Erguida para ser uma estação de tratamento de esgotos na virada do século retrasado, ela acabou nunca sendo utilizada para esse fim, uma vez que a empresa inglesa responsável pelo projeto reincidiu o contrato com o Governo. Apesar do pequeno porte, sua arquitetura peculiar a destaca em meio aos prédios históricos da cidade, principalmente pela presença de uma chaminé com 24 metros de altura, toda feita de tijolos aparentes e exibindo no topo uma bela coroa metálica.

O espaço é utilizado como centro cultural e abriga a exposição Os Sentidos da Amazônia. A idéia é bem interessante e leva o espectador a conhecer a Amazônia através dos cinco sentidos humanos. As salas do paladar e do olfato são muito interessantes, mas talvez a mais marcante seja mesmo a sala da visão. Nela, somos levados a abrir várias janelas que revelam depoimentos de autores diversos sobre as impressões que eles tiveram sobre Manaus quando por aqui estiveram pela primeira vez, além de fotos da cidade em vários períodos do tempo.  Ler os relatos de exploradores brasileiros e estrangeiros sobre a estranheza e o fascínio causados pela cidade, antes mesmo da Belle Epóque, e as especulações sobre o futuro do lugar é um grande exercício de imaginação. No final,  porém, não deixa de ser agridoce perceber que, apesar de termos alcançado o desenvolvimento que muitos deles previram, pelo caminho perdemos (ou destruímos) grande parte daquilo que tanto impactou positivamente esses ilustres visitantes de outrora.      

Resumindo...

Não deixe de ver/fazer:

  • Caminhar pelas trilhas do parque e admirar a grande bandeira do estado do Amazonas, além da estátua do senador Jéfferson Péres e o Chafariz das Quimeras.
  • Visitar o Palácio Rio Negro, incluindo o jardim nos fundos do casarão.
  • Visitar a Usina Chaminé e conferir a exposição Sentidos da Amazônia.

- Visite o Parque Jéfferson Péres no final da tarde, quando os monumentos começam a ser iluminados e o calor dá uma trégua.

- O local é seguro e completamente livre de mendigos e camelôs, inclusive à noite.

- Nos fins de semana, por volta das 17h, há programações com palhaços e outros artistas voltadas para as crianças.

- Por ter sido uma favela de palafitas há alguns anos atrás, o cheiro de esgoto ainda se faz presente no parque de vez em quando, bem como restos de lixo dentro da água. O Prosamim é um belo projeto de reurbanização, mas suas obras ainda não contemplaram de forma satisfatória o saneamento básico dos igarapés.

- A Usina Chaminé está localizada fora da área de abragência do Parque. Apesar de distar apenas uma quadra da entrada do Parque, aconselho cuidado no caminho para chegar até ela.  

Para ver fotos do Parque Jéfferson Péres, clique aqui

Contatos

Palácio Rio Negro

  • Telefone: (92) 3232 4450
  • Horário de visitação: Ter. à Sex. das 10h às 16h. Dom. das 17h às 20h.

Usina Chaminé

  • Telefone: (92) 3633 3026
  • Horário de visitação: Ter. à Sex. das 10h às 16h. Dom. das 17h às 20h.


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